Na década de 90 havia uma banda chamada Concreteness. Essa banda agitou o interior paulista. Na cidade de Santa Bárbara D’Oeste, Marcelo e seus irmãos César e Marco Maluf, junto com o baixista Veio, comandavam a banda e o famoso bar Hitchcock, por onde lendas do então latente rock cheio de bandas novas pulsava. O Concreteness fazia seu punk eletrônico e tocava em festivais como o Juntatribo (Campinas), Abril Pro Rock (Recife), Big (Curitiba), Super Demo (Rio de Janeiro).
O tempo passou, mas Marcelo continou incansável e arriscou nas letras e é o responsável pelo 43º volume da MOJO Books: Construção, de Chico Buarque. Tarefa complicada… Mas Marcelo foi fundo e trouxe a história de um homem atormentado caminha pela cidade. Aos poucos, ele vai construindo seu destino, numa jornada apaziguadora, mas ao mesmo tempo desesperadora.
O escritor que virou literatura, esse poderia ser um subtítulo para o livro de Marcelo, afinal Chico Buarque é considerado também mestre nas letras. Mas com Construção, o mojo-writer pega a essência de um disco que lida com identidade, vontades, popular e erudito e, mais do que isso, lida com a descoberta.
E afinal, quem é Marcelo Maluf? Escritor, músico e Mestre em Artes, pelo Instituto de Artes da Unesp, ele é baterista e vocalista da Banda Performática liderada pelo artista plástico José Roberto Aguilar. Escreveu a novela infanto-juvenil Jorge do pântano que fica logo ali (FTD), com lançamento previsto para o segundo semestre de 2007. Vive e trabalha em São Paulo. E agora também um autor cheio de MOJO.
Entrevista com o autor
- Por que você escolheu esse disco?
Escolhi o disco Construção do Chico porque para mim esse disco é a síntese do que entendo por música popular brasileira, e também por ser o disco de MPB que eu mais ouvi e não cansei de ouvir até hoje.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
O processo foi interessante. Percebi que não conseguia escrever enquanto ouvia o disco – talvez pela força de cada música -, só depois da audição é que me sentava na frente do computador, e com as sensações que o disco me deixava a cada audição me punha a escrever. Foi uma experiência de contemplação e catarse.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Eu diria ao leitor para começar por “Deus lhe pague” mesmo, que é a primeira faixa do disco. O meu texto tem muito a ver com o modo como sinto essa música.
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Now playing: Sebastião Estiva – Tenente Rodrigues
via FoxyTunes
