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Quem é? Bruno Reis
Categories: Autores, Quem é

Nosso mojowriter da semana sabe muito bem o que é viver de palavras. Em Neon Bible, ele narra a história de um homem atormentado pela culpa e rodeado de fantasmas quer fugir desesperadamente do seu passado. Para isso, parte em uma viagem sem começo, meio ou fim, navegando em mares imprecisos para tirar da consciência uma dor aguda que não o deixa dar sequência em sua vida: o arrependimento por ter matado a própria mulher. Bruno Reis usou a Bíblia de néon do Arcade Fire sua inspiração para um livro tenso.

E quem seria ele? Bruno Reis é publicitário por formação e escritor por paixão. Além dos serviços de redator para a Nave Comunicação, assina semanalmente a Coluna B sobre música alternativa, cinema e cultura pop no jornal A Gazeta de Vitória-ES e a coluna Ópio no Café, de contos, na Revista Paradoxo. Escreve contos e crônicas em seu blog, Misquilinas Variadas e é editor e um dos proprietários do Outernative, site de música alternativa e cinema. Tem 26 anos, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim (ES) e mora em Vila Velha.

Entrevista com o autor:

- Por que você escolheu esse disco?
Escolhi o Neon Bible por uma série de fatores. Primeiro, por se tratar de um dos melhores discos da atualidade, talvez até mesmo da história do rock - saberemos isso apenas no futuro. Particularmente, sou apaixonado pela banda e pelo disco. Segundo, por ser um álbum que desperta centenas de imagens imediatas, parece ter sido criado para ser a trilha sonora de um filme, uma peça, um livro ou uma vida. Terceiro: é um trabalho cheio de pequenos enigmas, vários detalhes que a gente vai descobrindo a cada nova audição, desde instrumentos que a gente não tinha reparado até sacadas nas letras que não fisgamos de primeira. Quarto e último, o disco tem uma atmosfera sombria que sempre me foi sedutora. Seja nas melodias ou nos temas das músicas, o Neon Bible tem um lado negro e misterioso que eu sempre gostei de tratar nos meus escritos. É um álbum que foge do comum sem ser revolucionário, e assim se aproxima das pessoas por deixar no ar histórias que poderiam ser de qualquer um, e o melhor: histórias que já vêm com uma bela trilha sonora.

- Como foi o processo de transformar música em literatura?
Foi ao mesmo tempo doloroso e prazeiroso. Doloroso porque é muito difícil transformar a música do Arcade Fire em qualquer coisa, imagine em literatura. É uma banda que tem uma personalidade muito forte, um estilo extremamente marcante, então eu tive que tentar me aproximar deste estilo ao máximo sem perder o meu próprio. E foi prazeiroso provavelmente pelos mesmos motivos, hehe. Pela delícia do exercício de escrever uma história que talvez já exista em algum lugar do disco, escondida nas entrelinhas, embaixo das notas mais graves. Descobrir e destrinchar uma narrativa dentro do clima das canções é muito gostoso.

- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
O conto tem várias citações e referências a músicas do disco, e algumas delas foram bastante decisivas para a história. É sempre bom começar um disco pela ordem natural dele, certamente proposta pela banda por algum motivo. Mas acho que a faixa “Ocean of Noise” também pode ser uma boa pedida pra já ir entrando no clima do livro.

Para ler mais coisas do autor, visite:
http://www.revistaparadoxo.com/
http://misquilinas.zip.net/
http://www.outernative.net/

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Now playing: Chet Baker – Time After Time
via FoxyTunes

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