Não é segredo pra ninguém que esta semana sai o primeiro MOJO Specials em homenagem ao Tim Festival. Quatro livros, quatro bandas, quatro autores. Quem é quem nesse universo mojo:
Túlio Bragança – Hot Fuss, The Killers
Túlio Pires Bragança nasceu em 1982, é publicitário (mas se formou em Relações Públicas) e atualmente vive em Buenos Aires, onde trabalha numa rede de televisão. Quando lhe perguntam de onde é, nunca sabe responder direito porque nasceu em Timóteo (MG), foi criado em Santos e morou seis anos em Curitiba. Também assina uma coluna de TV para o site Bonde e tem o blog Aires Buenos onde reflete sobre sua condição de brasileiro vivendo na Argentina.
Três perguntas para o autor:
- Por que você escolheu esse disco?
Porque me identifico. É pop, mas não cai em clichês. Além disso, possui letras boas que contam histórias interessantes. Cada música tem um personagem e um enredo que tem tudo a ver com o que as pessoas como eu vivem ou viveram.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
Imaginei um enredo básico e tentei reproduzir o que eu sentia ao ouvir as músicas nos personagens da história. Ouvi muito o cd antes de escrever e enquanto escrevia para me inspirar.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Com toda certeza “Mr. Brighside”. Adoro essa música. Existem outras canções “chave” para escutar que são “Somebody told me” e “Jenny was a friend of mine”.
Para ler mais coisas do autor, visite www.aires-buenos.blogspot.com
Úrsula Passos – Medúlla, Björk
Úrsula Passos é culpada de ter muita vontade e pouca coragem, muitas idéias e pouco trabalho duro, muita utopia e pouca realização, muitos desejos e poucos gozos. Hoje está no segundo ano do curso de Filosofia e após muitos contos, romances e blogs abandonados, resolveu manter o Auto-retrato no museu, uma tela na qual, aos poucos – e vencendo muitas resistências de seu ser -, vai compondo com palavras aquilo que seria seu auto-retrato, não exposto num museu, é claro, mas na internet, como uma mensagem ao ar, onde você pendura o quadro numa parede qualquer e nunca se sabe quem por ela passará e nem quem vai parar, olhar, se questionar, admirar, ou simplesmente passar mesmo. Cinéfila, caiu no clichê de gostar de filmes franceses, – gosta de Godard! Mas também é fã (mas não de carteirinha, tem horror aos clubes) de Truffaut, Woody Allen, Almodóvar e Kieslowski. Cinema cult, filosofia, Björk, blog… Não, ela não usa óculos quadrado! Se bem que, se precisasse de óculos, quadrados seriam!
Três perguntas para a autora:
- Por que você escolheu esse disco?
Desde de que ouvi Medúlla pela primeira vez, me apaixonei, já conhecia Björk mas as músicas desse álbum são únicas, jamais imaginei que ouviria algo do tipo, cada música dá uma sensação diferente, sempre num crescendo até explodir em “Triumph Of A Heart”, de maneira tal que fiquei esgotada, física e mentalmente, ao fim do disco.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
Eu tinha bem claro para mim que precisava ser um texto escrito no calor do momento, enquanto sentia tudo aquilo que as músicas transmitiam, então peguei um caderno, uma caneta, dei play no CD e comecei a escrever, só parei quando a música parou.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
“Pleasure Is All Mine”, a primeira do álbum, e tentar ler acompanhando as mudanças de clima do texto com as mudanças de músicas.
Para ler outros materiais da autora, visite: http://autoretratonomuseu.blogspot.com/
George Farwell – Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys
George Farwell, 35, é natural de Hastings, cursou História em Oxford e virou mergulhador profissional na França, testando equipamentos de segurança para a CMAS. Sua maior aventura até hoje foi uma viagem de dois anos cruzando a Europa, Ásia e Índia, fazendo um levantamento de cavernas de água doce inundadas. Morou em São Paulo de 1998 a 2002, mergulhando com o Núcleo de Estudos da USP por todo o litoral brasileiro.
Três perguntas para o autor:
- Por que você escolheu esse disco?
Foi um livro encomendado pelo Giassetti e pelo Danilo. Uma vez, anos atrás, contei essa história pro Gia sobre uma viagem que fiz para a CMAS, a uma ilha do Ártico. Não foi nada demais, a equipe só estava aproveitando uma expedição de um canal de tv para testar uma válvula de segurança em baixas temperaturas. E aí um dos caras jurou que tinha visto um macaco no meio da neve – impossível. Bom, claro que não tinha macaco nenhum, mas no dia seguinte o cara sumiu e voltou horas depois dizendo que não lembrava de nada. Aí os MOJERs lembraram disso e me convenceram que eu podia escrever um conto. Se a história não ficou boa, a culpa é da tradução deles.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
Foi muito mais fácil do que eu imaginava. Adoro os garotos do Arctic Monkeys e escrevi quase tudo em dois dias que fiquei preso em casa com resfriado. Aí coloquei um monte de gente que eu conheço e outras coisas que sempre sonhei fazer e nunca fiz. Eu sempre quis ser um Vernon Mayer ou um Sid Barry.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Não sei exatamente. “This house is a circus” pode ser uma boa, ou “The Bad Thing”. O importante mesmo é ficar longe dos verdadeiros macacos do Ártico. Boa leitura, bom show e espero que gostem da história e do humor negro deste inglês maluco.
Sara Lee – The Covers Record, Cat Power
Sara Lee é do interior do Rio Grande do Sul, mas mora em Curitiba. É do tipo que tanto faz. Começou a escrever porque queria ser todas as coisas. mas sem ter de se dedicar demais e exclusivamente a nenhuma delas. Da mesma maneira, todas as quinhentas idéias que tem por semana a atraem e depois a cansam. Sobrevive fazendo um bico de funcionária pública. Tem 28 anos e amigos que a suportam e terá uma filha em fevereiro de 2008. Escreve o blog Eu queria que ser Bob Dylan valesse a pena.
Três perguntas para a autora:
- Por que você escolheu esse disco?
Escolhi esse disco específico porque ele junta cover – uma arte da sinceridade; singeleza – o exercício mais bonito da pretensão e um que de deserto. Um deserto cheio de bichinho como a voz da Cat Power. Além disso, ele me inspirou um livro de poemas como maneira de contar a história porque é a maneira como as palavras e situações foram me vinto a cabeça. basicamente tratam-se de poucas cenas: um momento urbano, participantes eventuais e seus dramas pessoais, uma moça solitária, a percepção da solidão, um acidente, a pouca valia do acidente, a vida retornando ao normal.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
O processo de transformação foi simplesmente ir ouvindo o cd e ir deixando-o causar o que quisesse causar, o que só ELE poderia causar só EM MIM naquele MOMENTO.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Como há um clima que perpassa todo o cd e eu o vejo não como uma seqüência, mas como a complexidade de uma paisagem, não importa por onde começar. O cd ou o livro. Tanto faz. Causará o que lhe cabe.
Para ler mais materiais da autora, visite http://www.nadawannabe.blogspot.com/
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Now playing: Fiona Apple – Fast as You Can
via FoxyTunes