
Os brasileiros que não desistem nunca e são adeptos da filosofia do deputado Aldo Rebelo costumam se orgulhar muito quando dizem que a palavra “saudade” só existe em português. Falácias a parte, homesick é um equivalente que a língua inglesa tem para denominar a saudade de casa, uma melancolia única do lugar próprio. E homesick é a melhor definição para o som que o She Wants Revenge faz.
Explico. Formada na Califórnia, em 2003, pelos DJ’s Justin Warfield e Adam “Adam 12″ Bravin, a banda lançou, em 2006, o disco “branco” (She Wants Revenge). Logo a imprensa musical a tachou de Depeche Mode do anos 00 e um Joy Division genérico para a nova geração. Em parte, a comparação faz sentido – afinal citam bandas seminais –, mas a praia do SWR é outra, vem da Louisiana, do finado selo C’Est La Mort que revelou bandas tardias do synthpop como Handful of Snowdrops. Também é clara a influência da vertente gótica eletrônica de bandas do selo Cleópatra, tais como Switchblade Symphony e Spahn Ranch. Por isso ouvir o She Wants Revenge tem sabor de homesick. Você escuta e imediatamente lembra-se de que, da metade final da década de 80 até meados de década seguinte, bandas e mais bandas proliferaram fazendo o som exatamente igual ao que o She Wants Revenge faz.
A impressão fica ainda mais nítida em This is forever, novo álbum recém-lançado, e que é o disco “preto” da banda (atente-se para as duas capas). Não que a mudança de tonalidade da capa tenha alguma influência no som da banda – ela não se tornou mais triste ou depressiva do que já era. This is forever soa como se o She Wants Revenge tivesse composto em ritmo alucinado para seu disco de estréia e o material de sobra agora entrou neste novo, que dista menos de um ano de seu antecessor.