Uma garota do subúrbio carioca descobre que a independência pode ser conquistada fora do país. Mas qual seria o preço a pagar? imone Campos mergulha na questão do “lá e aqui” do álbum do Chemical Brothers e pinça uma história única. E quem é a autora?

Simone Campos é escritora e tradutora. Estreou na literatura aos dezessete anos, em 2000, com o romance No shopping (7Letras). Desde então, participou de diversas antologias e coletâneas - entre elas, Geração 90: os transgressores (org. Nelson de Oliveira, Boitempo Editorial) e 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura (org. Luiz Ruffato, Record). Cursou jornalismo e está terminando o curso de produção editorial, ambos na UFRJ. Em 2007, publicou seu segundo romance em papel, A feia noite (7Letras), e a ficção científica on-line Penados y rebeldes. Sua contribuição mais recente foi para a revista Mininas no. 12.

Três perguntas para a autora:

- Por que você escolheu esse disco?
Porque foi um dos primeiros álbuns eletrônicos a que tive acesso - e foi paixão à primeira audição. Quando eu tinha 14 anos, me apaixonei pelo som eletrônico ao ouvir “It’s no good”, do Depeche Mode, na rádio. Ainda não existia MP3 e nem Amazon.com, eu não conseguia encontrar os CDs que queria. Então minha mãe descobriu um colega de trabalho que era fã de música eletrônica e tinha tudo; ele se dispôs a copiar os CDs para mim em fitas. Dei-lhe duas fitas K7, e ele escolheu gravar nelas um CD dos Chemical Brothers (o Exit Planet Dust) e outro do Fatboy Slim (You’ve come a long way, baby). Depois fui conseguindo comprar os outros CDs: o Surrender foi comprado logo depois do lançamento, em Londres (quando as vitrines estavam cheias do 3º livro de um certo bruxo de óculos) - pois arrumei imediatamente um pretexto para ir para lá: fazer um curso de línguas.

- Como foi o processo de transformar música em literatura?
Foi fácil sem deixar de ser estimulante. A meu ver o álbum Exit planet dust é uma narrativa um tanto curiosa. Há esse arquétipo narrativo da jornada “there and back again”, ou seja, “lá e de volta”, que é o subtítulo de um livro do Tolkien. Pois bem: nesse álbum a primeira música é “Leave home” (”Sair de casa”) e a última é “Alive alone” (”Vivo e sozinho”), então pensei no disco como uma narrativa “there and” (”lá e”). Não há volta. Há só a ida e a chegada. Repliquei isso na história que criei. Outra coisa é que no “Exit planet dust” há uma divisão clara: em vez de misturar músicas dançantes a calmas como boa parte dos discos faz, há primeiro a parte mais nervosa do disco, um clímax dentro dela, e depois a parte mais etérea, terminando também em clímax. Fiz igual também. Não há divisão faixa-por-faixa no texto que criei, como acontece com vários livros da MOJO. Só reproduzi, digamos assim, a experiência. Ah, os Chemical Brothers costumavam aparecer de relance nos próprios clipes, então “coloquei” a dupla no conto, também de relance.

- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Sou fã da “Life is sweet” e acho que ela serve para começar e terminar a leitura. Também acho que ela, de certa forma, condensa o álbum em seis minutos e meio.

Para ler mais coisas da autora, visite http://penadosyrebeldes.blogspot.com/

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