Para comemorar 1 ano de MOJO, preparamos uma edição especial, um álbum duplo, de um dos maiores ícones da música brasileira: Transa, de Caetano Veloso. Duas visões distintas do mesmo disco, duas histórias que falam direta e indiretamente dos prazeres e dores de ser brasileiro longe de seu próprio país. Transa foi mojificado por Herculano Neto e por Vanessa Rodrigues. Conheça mais sobre os autores:
Transa, lado A - Herculano Neto
Herculano Neto é poeta, letrista de música popular, diretor e roteirista de curtas-metragens. Participou dos livros “Os Outros Poemas de que Falei” (Prêmio Banco Capital de Literatura, 2004) e “Sob Prescrição” (Laetitia Editore, 2006). Teve seus poemas publicados pela revista Cult nº 110 e a canção “Faz de Conta” gravada por Raimundo Fagner. Funcionário público, cineclubista, neto do Herculano, um reles contador de historias. Mora em Salvador e edita seu blog.
Três perguntas para o autor:
Por que escolheu o disco Transa?
Vários discos modificaram positivamente minha existência, de Novos Baianos a Walter Franco a Titãs e mundo livre s/a. Porém, aquele que permanece intocável para mim é o “Transa” de Caetano Veloso. Não só por eu ser de Santo Amaro, mas também por conter uma energia sonora que cativa e incomoda. Muitos amigos anti-MPB e anti-Caetano, dão o braço a torcer ao trabalho e toda uma geração reverencia a obra de maneira quase religiosa. Após 15 anos da primeira audição continuo a escutá-lo, não com a mesma freqüência, mas com a mesma emoção. Ainda guardo com carinho a edição original em vinil, com o seu dobra/desdobra, comprado por R$ 1,00 num bazar de rua.
Como foi o processo de transformar música em literatura?
Antes de conhecer o projeto MOJO, já tinha feito algumas crônicas a partir de canções dos Smiths e IRA! e com “Transa” foi natural, até porque sinto-me como um estrangeiro e a lembrança do interior me abraça e repele, canções como “Triste Bahia” e “London, London” (do disco anterior a “Transa”) desenharam com precisão o caminho a percorrer, daí foi só botar o pé na estrada e o CD no repeat.
Com qual canção do álbum você diria para o leitor iniciar seu conto?
Certamente, “You Don’t Know me”, é a canção que inicia o disco e que resume com eficiência o espírito do livro. Recentemente Caetano incorporou a canção ao seu último show, satisfazendo o desejo de novos/velhos fãs.
Transa, lado B - Vanessa Rodrigues
Vanessa Rodrigues mora em Curitiba, estuda Letras na UFPR e trabalha com revisão, edição e produção de texto. Está mergulhada em uma pesquisa para um livro-reportagem sobre violência doméstica. Gosta de café, chocolate, gin com tônica, Hilda Hilst, Gonçalo M. Tavares, Lygia Bojunga, Clarice Lispector, Beatles, Cat Power, Pato Fu, Ella Fitzgerald, Chico Buarque, Caetano Veloso e horário de verão. Tem um blog chamado Meu Secador não Funciona.
Três perguntas para a autora:
Por que escolheu o disco Transa?
Dos discos da fase Londres acho Transa o melhor. A melancolia de estar em um lugar definitivamente estrangeiro à Bahia passa, em cada verso cantado com o “inglês brasileiro” de Caetano, com aquela batida de candomblé, com as cirandas, o verso de Gregório de Matos, a elegância da bossa nova. É incrível. E saber que aquilo foi revolução, pedido de liberdade, coragem.
Como foi o processo de transformar música em literatura?
Eu me imaginei lá. Lá no estúdio com o Caetano cantando Triste Bahia longe do Brasil. E ouvia vendo isso, prestava atenção nos ritmos, no tom de voz do Caetano, nos poemas, nos versinhos, nos atabaques até engravidar do livro. O conjunto do disco me levou para um Brasil visto de longe, até estereotipado, selvagem, sujo de areia. Nasceu Maria e sua história.
Com qual canção do álbum você diria para o leitor iniciar seu conto?
Acho que a “You Don´t Know me”, que abre o disco. Pra mim, ela resume todas essas sensações de distância, saudade, exílio, Brasil, Londres…





No user comentado em" Quem são? (It’s a long post) "
Siga comment rss ou deixe umTrackbackDê uma resposta