SIM! Ã s vezes surge um alento.
E, finalmente, a Granta chega ao Brasil!A um pequeno e bravo contingente de publicações literárias nacionais acaba de juntar-se mais um tÃtulo: a versão brasileira de Granta. Empreendimento da Alfaguara/Objetiva, ainda não é o que para ela planejam: uma revista-livro (remotamente parecida com o Livro de Cabeceira do Homem, cria da Civilização Brasileira nos anos 60) com 60% de material traduzido (recente e passado) e 40% de produção brasileira. Seu número de estréia (402 páginas, R$ 47,90, mas já por R$ 38,32 na Livraria Cultura) é a tradução completa do n.º 97 da Granta original, lançada em maio deste ano, com ‘os melhores jovens escritores norte-americanos’.
Leitura indispensável para os neurônios mais exigentes, Granta filia-se à mesma linhagem editorial de Salmagundi, Paris Review, Esprit, Grand Steet, Lingua Franca, New York Review of Books, London Review of Books, n+1, para ficarmos só entre as publicações vivas ou recentemente desaparecidas (casos de Grand Street e Lingua Franca). Já seria um luxo tê-la entre nós apenas traduzida, até porque em suas páginas brilhou (e ainda cintila) a fina flor da literatura e do jornalismo mundial, de Gore Vidal a Elias Canetti, passando por Susan Sontag, Gabriel GarcÃa Márquez, Vargas Lllosa, Primo Levi, J.M. Coetzee, Camilo José Cela, Joan Didion, Ryszard Kapuscinski, Ivan Klima, Leonardo Sciascia, Simon Schama, Georges Perec, Amartya Sen, Ricardo Piglia, e uma porção de autores africanos e asiáticos, desconhecidos por estas bandas. Até fotos de Sebastião Salgado ela já publicou.
Contos, relatos, perfis, memórias, romances em andamento, experiências autobiográficas - é variadÃssima a gama de gêneros e assuntos acolhida pela revista, que, desde a estréia, também tem servido de trampolim para dezenas de autores, sobretudo de lÃngua inglesa, que para o anonimato jamais retornaram. Pelo menos 12 deles já conquistaram os dois principais galardões literários do Reino Unido, o Man Booker Prize e o Whitbread Prize.
Ian McEwan já publicara dois livros (First Love, First Rites, premiado em 1975, e The Cement Garden, adaptado ao cinema) quando estreou nas páginas de Granta, mas, salvo engano, Salman Rushdie e Kazuo Ishiguro podem ser considerados revelações da revista; assim como Gautaru Malkani (que depois estouraria com Londonstani), Steven Hall (autor de Cabeça Tubarão, recém-traduzido pela Cia. das Letras), C.J. Sansom (de quem a Record já publicou três obras), Jon McGregor (cujo romance Se Ninguém Falar de Coisas Interessantes foi lançado há quatro anos pela ARX), Louise Welsh (autora de O Quarto Escuro, editado pela Girafa), Susanna Clarke, Naomi Alderman (Disobedience), etc. Todos eles integravam uma das periódicas listas de ””melhores escritores”” que a revista adora e muito bem sabe confeccionar, com ênfase em talentos com menos de 40 anos de idade e nenhuma obra impressa.
Já se amparava numa lista o primeiro número de Granta, impresso em setembro de 1979. Entre os ””novos escritores norte-americanos”” dignos de realce na época, Sontag, John Hawkes, Joyce Carol Oates, William Gass, Donald Barthelme e Paul Auster. O segundo número sairia seis meses mais tarde, e o terceiro, um ano depois. Periodicidade estável, só a partir do sexto número, sobre a dobradinha literatura & polÃtica.
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