
Esta é mais uma na linha das melhores bandas que ainda são desconhecidas do grande público aqui no Brasil. Só para se ter uma idéia de como essa banda é legal, veja a tradução do nome: acústico do aspirador de pó . Isto é coisa de gênio.
A banda em questão é Hooverphonic, fundada em 1995, em Bruxelas (Bélgica) por Liesje Sadonius, a estilosa vocalista, Alex Callier, programador e guitarrista, Frank Duchêne, tecladista e Raymond Geerts, também guitarrista. Logo de cara tiveram a música “2Wicky” na trilha sonora do filme Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci, que incluía, entre tantos, o Portishead. Em 97 gravaram New Stereophonic Sound Spetacular, com todas as influências que o trip-hop poderia exercer.
No ano seguinte veio Blue Wonder Power Milk e marcou também a saída de Sadonius, expulsa da banda. A misteriosa Geike Arnaert assumiu o posto de vocalista. Este álbum mostrou a inquietação da banda com rótulos, deixando de lado o trip-hop para um estilo mais eletrônico, com fusões de acústica. Geike, inclusive, moldou o som da banda à sua voz. Em 2000 veio The Magnificent Tree e nova mudança no som da banda. Agora os arranjos de cordas ganharam mais vigor, num legítimo flerte com o rock. Em 2002 lançaram Jackie Cane, um álbum que narra a ascensão e queda de um mito pop, a tal Jackie Cane. De abordagem evidentemente mais pop, a banda faz uma interessante metalinguagem sobre o processo de crescimento dentro do cenário musical. Sem dúvida, a obra-prima do Hooverphonic.
Em 2003 lançaram Sit Down and Listen To, o fatídico álbum ao vivo que toda a banda sente-se obrigada a lançar. Aqui, parte das boas músicas do Hooverphonic estão presentes, numa apresentação razoável. Também participaram de um álbum tributo ao Depeche Mode, com um trip-hop de “Shake the Disease”, batendo nomes como The Cure e Smashing Pumpkins, também presentes no disco.
O Hooverphonic faz aquele estilo de som cool, mezzo Sneaker Pimps, mezzo Everything But The Girls, com pitadas de Cocteau Twins e até mesmo Dead Can Dance, porém de maneira bem mais pop do que as bandas que foram influenciados. O mais interessante é que o primeiro álbum era totalmente recheado de influências dos anos 80, com pelo menos cinco anos de antecedência sobre toda a onda de revival que surgiu logo em seguida. Isso é uma grande pista para entender o Hooverphonic, uma banda que não se sente obrigada a seguir rótulos e é capaz de captar os rumos da música. Ou seja, tem que prestar atenção em quem tem este tipo de proposta no quase sempre estéril mundo pop.