Engraçado como às vezes temos informações de tanta coisa e, um dia, elas se conectam. Outro dia o Danilo me mandou um link da revista Esquire. Era um artigo antológico da revista chamado “Frank Sinatra has a cold”. Contava as vésperas de uma mega-aparição de Sinatra na TV em algum ponto do começo dos anos 60. Na época, Sinatra mandava e desmandava, literalmente. Era quase um gângster, era o maior astro do mundo. Logo no começo, o nome do autor: Gay Talese, que eu só conhecia de um livro magnífico de documentação histórica, a história do NY Times. Bela conexão. Esse cara foi um dos expoentes do novo jornalismo e do romance-jornalístico, ao lado do grande Truma Capote. O texto, divertidíssimo, porque na verdade Talese nem conseguiu entrevistar o cantor, ele conta os passos de um Sinatra nervoso, todo-poderoso e cambaleante. Em uma das passagens, conta de um rapaz todo estiloso que vestia botas que interessaram Sinatra. O jovem era o beatnik de boutique Harlan Ellison, que em breve seria um dos maiores escritores de ficção científica americano da geração pós-Asimov. Ellison escreveria livros fascinantes e séries de TV como “Jornada nas Estrelas”, “Além da Imaginação” e “Babylon 5″. Ellison era um cara que eu acompanhava em calorosas discussões no periódico “The Comics Journal”. Na passagem, Ellison é displicente e faz questão de ignorar a “importância” do homem que queria saber de onde tinham vindo suas botas.
Bem, pode parecer idiota, mas três grandes nomes se juntaram à minha frente para me contar uma história. Um autor, um protagonista e um coadjuvante inusitado. Um jornalista e historiador, um cantor e criminoso, e um escritor pedante.
É esse tipo de ligação entre as coisas que nos faz querer saber mais, ler mais e depois escrever mais. É um exemplo de como pensamos aqui na MOJO.