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O som e a fúria de Faulkner
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Em Macbeth, William Shakespeare afirmou que a vida é “uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada”. Século mais tarde, William Faulkner levou ao extremo esta conotação e redigiu um fantástico relato sobre a aspereza e voracidade da vida em O Som e A Fúria (Ed. Cosac & Naif).

O Som e A Fúria nasceu em 1929, fruto da obsessão do autor após ter três originais recusados. Faulkner se trancou, fugiu do mundo para produzir seu romance mais marcante, cheio de ironia e críticas severas. O livro narra a história da família Compson, norte-americanos decadentes de um sul ainda mais decadente.

O uso do monólogo interior, o fluxo da consciência, é a grande chave do romance, que está presente nas três primeiras partes do livro. Quando Benjy Compson, autista, comanda a história através de experiências sensoriais, quanto Quentin, o melancólico e suicida irmão que só tem olhos para Caddy, sua irmã, num incesto nunca consumado e em Jason, o virulento, rancoroso irmão que viu sua vida ruir para que Quentin e Caddy pudessem ter algum tipo de situação melhor na vida.

Num ensaio clássico sobre O Som e a Fúria na Nouvelle Révue Française, Jean-Paul Sartre escreveu que os personagens de Faulkner nunca olham para frente, sempre para trás — e, por isso mesmo, não têm esperança nem salvação. Retornado a Macbeth, nada significa para os Compson, que estão sempre olhando para o seu próprio passado.

Na quarta parte do romance, surge um narrador onisciente – que facilita um pouco para o leitor, Dilsey, a empregada dos Compson. Representado a fachada decadente do sul dos EUA, Dilsey aponta a fragilidade da família ruída diante da nova realidade. Sabe-se que Faulkner representou neste livro toda a região onde nasceu, um sul pobre, escravocrata e derrotado.

O Som e A Fúria é um livro impressionante. Tanto por sua concepção fragmentária – Faulkner queria usar até marcações coloridas para indicações ao leitor – como por seu resultado imediato, um livro de agonia sobre uma vida agonizantes e suas conseqüências nas diversas mentes que a presenciam, quase numa crônica da derrocada absoluta. Um desafio para qual amante de literatura, que se vê preso em sua linguagem como os Compson ao seu passado. Pode acreditar, a mágica de Faulkner funciona.

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