
Segundo os Evangelhos, Lázaro teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres mais impressionantes de Jesus Cristo. Ele adoeceu gravemente e duas de suas irmãs - Marta e Maria - enviaram com urgência um mensageiro ao encontro de Jesus com a seguinte mensagem: “Aquele a quem você ama está doente”. Aos seus discÃpulos, porém, Jesus disse que Lázaro apenas dormia, e seria acordado. Depois de quatro dias morto, Lázaro foi ressuscitado milagrosamente e visto pela multidão que contemplou o fato.
Desde sua infância que Nicholas Edward Cave se impressiona – e se assusta – com a história do homem que ressuscitou após quatro dias. Num misto de medo e admiração, essa história ressurge para embalar o clima do décimo quarto álbum do músico australiano, mais um na companhia das Sementes Más (o segundo sem Blixa Bargeld e o primeiro após o barulhento projeto paralelo Grinderman, que sacudiu os porões no ano passado). Quer saber: Nick Cave envelhece como vinho, e aos 50 anos coloca nas ruas um dos melhores álbuns de sua carreira consagrada.
O disco abre com Nick Cave clamando na faixa tÃtulo para que Lázaro cave (sem trocadilho, risos) um buraco e volte para o túmulo enquanto o bardo conta a história de Larry, um rapaz de Nova York que passou pela fila da sopa, pela delegacia, pelo manicômio e, por fim, terminou no cemitério. Uma bateria calma e limpa carrega a canção enquanto a guitarra base castiga o mesmo riff e outras guitarras entorpecidas de feedback maltratam a melodia ferozmente. O pop e o rock se unem e saem de mãos dadas cantando o refrão sagrado: “Cave, Lazaro, cave”.




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