Sex Pistols: o dia em que o céu ficou negro!”. Esta é apenas uma das manchetes (segundo Lee Childers, empresário do Heartbreakers) estampadas nos tablóides londrinos no dia seguinte ao da entrevista que Johnny Rotten e companhia deram no programa de Bill Grundy -uma espécie de Flávio Cavalcante da TV inglesa.
A partir dai o movimento punk ganhava as ruas de Londres da forma mais escandalosa e cínica possível. A agressão mútua entre o conjunto e o apresentador durante o programa foi um prato cheio para imprensa marrom britânica, acostumada a se alimentar de escândalos, e a tacada certa para um rapaz que a há anos perseguia o sonho de empresariar uma banda que estremecesse os alicerces da música pop.
Esse barraco televisivo foi apenas o primeiro de uma série de pequenos golpes de marketing responsáveis pela consolidação de um novo tipo de música, de uma nova forma de protestar, de se colocar diante de uma sociedade em que muitos não se enquadravam. Foi o acontecimento que marcou o início da carreira de uma das mais incendiárias bandas do rock and roll, os Sex Pistols.
O cinismo do criador
Praticamente tudo que Malcolm McLaren sabia a respeito de música e conjuntos musicais era fruto de suas viagens aos Estados Unidos. Sua primeira passagem pela América foi quando tentou vender as criações de sua mulher, a estilista Vivienne Westwood. Lá, ele tomou contato com a efervescente cena musical de Nova York.
De vendedor de roupas ambulante, o pequeno dândi inglês -que não transava as groupies por medo de contrair alguma doença-, passou a empresário do New York Dolls, marco do pré-punk norte-americano, que ele já conhecia da primeira turnê deles pelo Reino Unido.