
Mais um projeto especial da MOJO nasceu. A discografia completa de Fiona Apple virou literatura pelas visões de três escritoras. Tem até um hotsite especial pra você conferir.
Tidal:

Recontado por Camila Kintzel, com capa de Mariana Coan:
Leia um trecho do livro:
Nosso relacionamento começou há pouco mais de um ano. Foi naquela época em que eu tinha o estranho hábito de sonhar que mastigava os dentes. Toda noite a mesma coisa, em cenários diferentes. Marina mastigando seus dentes. Marina mastigando seus dentes em roupa de gala. Marina mastigando seus dentes na ilha de Lost. Primeiro caía um caquinho, depois outro. Logo, a gengiva estava machucada e doía enquanto aquela massa de pequenos pedacinhos rolava de um lado pro outro da boca, pequenos pedaços e pequenas feridas.
When the pawn:

Recontado por Carolina Rabelo, com capa de Valentina del Nero:
Leia um trecho do livro:
No meu aniversário este é o único presente que me é oferecido – saber que este homem que vejo pela última vez é meu para sempre. Ninguém vai tirá-lo de mim e ele resistirá imutável ao tempo. Guardarei comigo os olhos atentos e os cílios longos, as pintas avermelhadas tentando aparecer em meio à barba curta, o pescoço largo e forte, as mãos bem desenhadas e nosso anel que dança no dedo magro. E do tanto que já me esqueço? Os pequenos hábitos. Estar junto é lembrar de miudezas que quero de volta, mas não o quero mais, não adianta guardar miudeza alguma. É muito grave não tê-lo mais em meus dias. Ele amará outras mulheres no futuro e nenhuma delas será capaz de compreender que, mesmo separados, ficaremos juntos eternamente. Este presente foi-me atirado no rosto com violência e se sobrevivo a ele é só para levá-lo comigo, sentir seu peso e gosto eternos.
Extraordinary Machine:

Recontado por Juliana Fees, com capa de Luciana Araújo:
Leia um trecho do livro:
Ah, diabos. Hoje me sinto verborrágica. Por que será? Será que a catapulta foi o domingo? Minha sede de vingança só me leva a pequenos equívocos, que seriam nulidades caso não fosse a dimensão que tomam. Mas a gente cria a dimensão, não? Nossos valores, crenças, tudo pontua o que queremos ou não dar valor. Aquela máquina extraordinária parece tão distante, tão longe do que já vi, vivi em tão curto espaço de tempo. O pior é ver tudo isso acontecer na sua frente e não ter nada a dizer ou melhor, não ter nada a sentir. Como domingo.