Você já ouviu falar em Tony Parsons? Além de um escritor de relativo sucesso comercial na Inglaterra, ele também tem um posto cativo no Daily Mirror, um dos tablóides mais vendidos na terra da Rainha – sim, aquele que acabou de publicar as fotos da modelo Kate Moss cheirando pó em uma festa em Nova York.
Com livros como Pai e Filho e Marido e Mulher, ambos da editora GMT, Parsons mostra seu lado de ficcionista. Mas é com Disparos do Front da Cultura Pop (editora Barracuda, 360 págs, R$ 39, em média), que a verdadeira face do autor é desvelada.
Disparo na agulha
Trata-se de uma compilação de seus melhores textos jornalísticos de 1976 a 1994, época em que militava nas redações de jornais como New Music Express, revistas como Elle e Vogue. 55 textos dividem-se em cinco seções – Música, Amor e Sexo, Polêmica, Viagens e Cultura. Nelas, uma amostragem da cultura pop das últimas três décadas.
Parsons, além de tudo, é um dos mais importantes jornalistas musicais de todos os tempos – em especial da era da indústria cultural como uma máquina de fazer modas. Por isso, qualquer aprendiz de repórter ou crítico musical deve debruçar-se metodicamente sobre este livro.
Porém, não pense que se trata de uma obra para público específico. Longe disto. A primeira seção – Música – é uma deliciosa incursão ao universo das canções e das pessoas que as fazem. Impossível não sentir um arrepio ao ler as entrevistas que Parsons fez com o The Clash enquanto esperavam um trem em Londres. Ou a cobertura da apresentação do Sex Pistols no dia da Rainha, que acabou em pancadaria, no melhor estilo punk rock. Mais. A imperdível entrevista com David Bowie, que revela sua homossexualidade no período de Ziggy Stardust e os motivos de seus olhos terem colorações distintas. Todas são reportagens com tino de fã e execução profissional. Afinal, que pensar de alguém que dispara na agulha para George Michael, em época de estrelato gigante, se ele realmente era um cretino ou não?