
Aventuras de uma Pseudovirgem – Minhas viagens pela Ásia em busca de sexo. Título categórico, não? Pois é. A norte-americana Iris Bahr não hesita em escancarar suas memórias e produzir um livro de título forte (Dork Whore, em inglês). Lançado pela Conrad, o livro parece engatar naquele tipo de literatura desenvolvida por autoras como Lolita Pille ou Melissa P. já que o título parece entregar tudo o que vem pela frente.
Mas Bahr é diferente delas. Suas origens judaícas falam mais alto. Trancada por dois anos na base militar do Exército de Israel, Iris se vê finalmente livre e com o assunto sexo permeando sua mente – sua pequena experiência havia sido um fracasso retumbante. Resolve, então, dar um basta na situação e ir para o Extremo Oriente resolver sua questão sexual. Então a partir daí temos uma história pornográfica de cabo a rabo. Errou. Nada disso. Iris Bahr fala muito de sexo, mas não o pratica. O livro narra mais as frustrações de uma jovem contemporânea perdida entre o que deve aparentar, como deve agir e sem a menor noção de como conseguir fazer as coisas que deseja fazer.
Por se tratar de uma comediante, a autora sabe muito bem brincar com deboche no seu livro. Mas, ao mesmo tempo, as falhas de uma neófita literária são bem evidentes, uma vez que o livro oscila demais entre a narrativa fluente e a cumplicidade do leitor, com passagens enfadonhas e dispensáveis. Mas o saldo geral é positivo. Aventuras de uma Pseudovirgem só atesta as vantagens das diferenças e como fazer estupidez também pode ser uma grande maneira de se aprender hoje em dia, onde os limites parecem ter se alogando senão desaparecido.
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