Um homem solitário caminhando por uma estrada escura. Sob sua cabeça, uma tempestade furiosa começa a se armar. Raios e dilúvio. Em sua andança, o homem se aproxima de uma casa abandonada. Em busca de abrigo, ele penetra nesse espaço e ali presencia um fenômeno sobrenatural acima de sua compreensão.

Essa é o âmago da literatura do norte-americano Ambrose Bierce, um mestre do macabro, mas que em geral fica esquecido diante de outros gigantes da literatura dos EUA: Edgar Allan Poe e H.P Lovecraft. Nascido em 1842, Bierce desenvolve escritos tal como sua vida: de maneira furiosa e cruel. Jornalista odiado por muito, o escritor desenvolveu um interessante estilo sobrenatural, ainda que não esotérico. Suas histórias de horror, em geral, sempre apresentam o elemento da solidão e da decadência social como ponto de partida.

Uma amostra do trabalho deste gênio esquecido está em Visões da Noite e outras 13 História de Terror Sarcástico, editora Record, traduzido e organizado por Heloisa Seixas. Nessa pequena pérola lançada no Brasil, é possível mapear com vigor o estilo de Bierce. Sua literatura representa um peculiar capítulo das obras de terror fantasmagórico. Peculiar justamente por sua insistência no homem só, isolado, que enfrenta a provação com dignidade, mesmo que isto custe a sua vida. Aliás, o próprio Bierce parece ser um personagem de si próprio. Em 1913 rumou para o México, onde desapareceu completamente. Seu óbito foi marcado para o ano de 1914 mas ninguém sabe se isso procede ou não. Bierce, um homem só (cultivou seus inimigos com afinco), foi tragado em vida pelo mistério.

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