
Vertigem e linguagem (escrita e cantada). A desafiadora história do cotidiano eterno. Este é o mote de “Live forever”, single do Oasis recontado por Daniela Lima, num conto claustrofóbico e interessantíssimo.
LEIA UM TRECHO:
As coisas começaram acontecer e tantas e tão rápido que nem senti, como no cinema: 24 quadros por segundo, no entanto, é impossível ter noção dos fragmentos. É fluido. Seqüenciado. Sem quebras. Estava na casa dele há menos de dez minutos e já me sentia adaptada; como se retornasse. Odeio pensar desse jeito, soa tão bobo: sincronicidade, Jung, astrologia, à merda. Não acredito nessas coisas.

A autora:
Adoro os dias chuvosos, quando o mar e as montanhas se misturam no mesmo cinza; adoro fugir da chuva debaixo das marquises. Na Zona Sul. No Centro. No Rio: a minha cidade. Só sou possível aqui, falando de Nietzsche e escorregando no Demorô e no Já é, atrasando meia hora e tentando compensar no trânsito, marcando aquele chope que, provavelmente, não vai rolar. Sou carioca, porra! No entanto, casei com um paulista – alguém precisa ter responsabilidade em casa, sim?
Fui adolescente na década de 90: entre o Britpop e a Teoria das Cordas. Em 1998, vi o Oasis e o Blur ao vivo; em 1999, entrei para a faculdade de Física. Mas a vontade, em seu movimento pendular, me fez trancar o curso e estudar fotografia e, posteriormente, jornalismo – do natural ao inevitável.
O tempo passou entre o café, o sebo e a tela do cine Odeon; entre os filmes do Godard, Antonioni e Wong Kar-Wai; entre os livros do Henry Miller, Joyce e Faulkner. Vinte e seis e contando e tropeçando nas pedras portuguesas que, em dias de chuva, são como sabão.
Aqui você lê
[ad]