
7h30, o horário de maior movimento no terminal de metrô. A multidão se amontoava na plataforma. Fabian tinha o bico dos sapatos rentes à linha amarela pintada no chão. À direita, uma senhora gorda segurava a mão do menino vestindo o uniforme da escola católica. À esquerda, um punk ajeitava o moicano vermelho. Duas posições após o punk, um senhor alto com casaco preto inclinava o corpo na tentativa de ver o trem. Três vezes seus olhos se encontraram com os de Fabian. Tinha o semblante sério, o cabelo grisalho e levava as mãos nos bolsos. O trem chegou. Os corredores lotaram. A senhora gorda dividiu o assento com o punk. O menino seguiu em pé, assim como Fabian. O senhor grisalho ficou ao fundo do vagão. Conforme se aproximava do centro da cidade, o trem esvaziava. Fabian sentou, pôs a pasta no colo. Um terminal adiante, vagou o acento ao lado. “Com licença”, disse o grisalho. Apresentou-se como vizinho. Vira Fabian algumas vezes no mercado dos Klauck. Elogiou a beleza de Ingrid e perguntou se tinham filhos. Fabian foi sucinto e desembarcou uma estação antes da habitual. Preferiu caminhar cinco quarteirões a responder o interrogatório.