
São as manhãs – não as tardes ou as noites ou os momentos perdidos durante o dia, mas as manhãs, as manhãs são o momento do dia que mais nos faz felizes. Sortudos que somos, não temos compromissos matutinos com nada além da nossa própria satisfação particular. Meu prazer de cada dia é vê-la levantando da cama antes de mim, acendendo o mesmo incenso de sempre e sentando ao lado da janela, por onde entra um pouquinho da luz do sol, para meditar. É fascinante que ela consiga levantar e logo meditar, mas ela consegue, é como se nada além dela mesma estivesse ali – e esse é só um dos motivos de sua condição fascinante. Há algo nela de contemplativo, e é logo cedo pela manhã que ela, mesmo sem querer, me mostra em silêncio que há cantos da sua alma que eu nunca vou conhecer.
Ana Camila recontou o disco Flavors of entanglement, de Alanis Morissette. Baixe o livro aqui.