
Ainda são três da manhã. A passagem área na mesinha de cabeceira ainda me assusta e me sufoca com todos os nossos planos presos na minha garganta. Exatamente o destino em que estáriamos em um ano. Mas isso não é o destino que planejamos, era? Eu não consigo dormir, mal consigo fechar os olhos, é como se eu tivesse medo de quando abri-los, saber que eu te perdi para sempre. Tenho medo de te abraçar, assim você acordaria e me faria lembrar do que haviamos combinado. Eu não combinei nada além da lingerie, que você não irá ver. Mas eu levanto um pouco a minha blusa, faço que seu peito sinta a renda suave, sinta a cor dela, que sinta o meu coração batendo desesperado, como se fosse mesmo a última vez que ele irá bater. Eu sussuro perto do seu ouvido que eu não quero partir, eu não quero que amanheça e que eu fique apenas com as lembranças. Seguro com toda a minha força as minhas lágrimas, abafo meus gritos e minha dor no travesseiro, que ainda tem o cheiro dos nossos corpos. Eu me levanto para evitar mais dor, essa dor de sentir a sua pele tão rente a minha sem poder tocá-la.
Katrina recontou “Maps”, do Yeah Yeah Yeahs. Aqui.