
Um quê de amaciante no asfalto. É o que você encontra nesta série de poesias, que emanam sutilezas de duro aspecto, mas de fácil leitura.
Sara Lee sente o disco de versões de Cat Powere transforma em poesia tudo aquilo que emana da audição de The Covers Record.
- Por que você escolheu esse disco?
Escolhi esse disco específico porque ele junta cover – uma arte da sinceridade; singeleza – o exercício mais bonito da pretensão e um que de deserto. Um deserto cheio de bichinho como a voz da Cat Power. Além disso, ele me inspirou um livro de poemas como maneira de contar a história porque é a maneira como as palavras e situações foram me vinto a cabeça. Basicamente tratam-se de poucas cenas: um momento urbano, participantes eventuais e seus dramas pessoais, uma moça solitária, a percepção da solidão, um acidente, a pouca valia do acidente, a vida retornando ao normal.
- Como foi o processo de transformar música em literatura?
O processo de transformação foi simplesmente ir ouvindo o cd e ir deixando-o causar o que quisesse causar, o que só ELE poderia causar só EM MIM naquele MOMENTO.
- Com qual canção do álbum você falaria para o leitor iniciar seu conto?
Como há um clima que perpassa todo o cd e eu o vejo não como uma seqüência, mas como a complexidade de uma paisagem, não importa por onde começar. O cd ou o livro. Tanto faz. Causará o que lhe cabe.
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