
Richard abotoou as calças que colocava por cima do pijama. Olhou para o telefone antigo. Uma luz vermelha piscava. Apertou um botão rapidamente e foi procurar um casaco. Enquanto se agasalhava ouvia o recado da secretária eletrônica: “Bom dia, eu… Eu ouvi falar de você há muito tempo… Um amigo me contou. Eu estou com um problema e acho que você poderia resolvê-lo. Eu sou casado, tenho filhos, um bom emprego e uma vida perfeita. Algum tempo atrás eu conheci uma garota encantadora. Eu e ela começamos a sair escondidos. Depois de algum tempo ela começou a se comportar de forma estranha. Eu não reconhecia mais a garota que conhecera a alguns meses. Enfim, agora essa garota tá me chantageando. Ela tá me pedindo uma quantia absurda de dinheiro em troca de não falar nada para minha mulher. Eu marquei um encontro com ela amanhã. Disse que seria para acertar o preço, mas eu realmente queria que ela sofresse um acidente. Acho que você pode me ajudar nesta situação. Saiba que eu não sou ingrato e pago bem. Só quero que você faça de um jeito que ninguém saiba que foi assassinato, senão a imprensa vem pra cima de mim…”. O resto do recado informava a descrição da tal garota e a localização do lugar onde seria o encontro. O telefone fez alguns barulhos e a luz vermelha apagou-se. O inverno era a estação mais lucrativa. Não era a primeira vez que um marido lhe contratava para se livrar de uma amante. Richard rezava também para que não fosse a última. Pegou seu revólver e encaixou o silenciador. Saiu de seu apartamento e fechou a porta com força.
Pedro Martins recontou Simon and Garfunkel. Aqui.