
Era a última coisa que ela tinha ouvido naquela noite, antes de parar naquele bar quase às seis da manhã. Suas roupas de colegial ainda sacudiam muito enquanto ela ria e me explicava tudo em detalhes. Eu já fui no lugar onde ela trabalha. E, rapaz, como não chamam aquilo de trabalho, ela merece todas as carteiras assinadas do mundo. E ainda tem sempre forças pra andar, senta sem nenhum incômodo, espalhada pela cadeira, jogando charme para todo mundo. Nem parece filha de asiáticos com os olhos tão expressivos que tem. É, filha, estrangeira não pode ser, tem todo o sotaque do mundo, cheio de “s” carregados e “r” que somem no final da frase. Fala cheio de gingado. Eu bebo. Um duplo, cor vermelha, cor de sangue. Ou de coisas mais agradáveis à vista.
Bernardo Brum recontou o clássico de Odair José. Aqui.