Segundos atrás o vento deslizava sobre o rosto, afagava o nariz, caminhava pelas narinas e chegava às doces maçãs espalhando-se ao longo do rosto e fazendo festa nos longos cabelos. Escorria e chegava aos ouvidos. O único som audível naquele momento era o som do vento, esse contrapunha ferozmente qualquer outro som que, por ventura, [...]
Saiu e foi andando pelas ruas, em direção ao apartamento deles. Não pode ter sido final. Já atuaram nessa cena várias vezes. Mas ele sempre voltava. Sempre. Começou a andar mais rápido. A rua estava perigosa como sempre. Sua cabeça girando. Foi ela que falou de acabar. Ele só concordou e se foi. Tinha perdido [...]
Quero dizer é que gostaria de fazer mais pelo meu irmão humano (até já tinha entrado no PV e pro Greenpeace.), mesmo que ele como espécie seja execrável. Talvez, se evoluíssemos em pensamentos e ações, se eliminássemos as barreiras, permitíssemos a diferença, os profetas cristãos, muçulmanos e orientais pudessem estar certos, talvez Nietzch, com seu [...]
Depois de chorar e ver meus cabelos perdidos, arrancados a força abandonados pelo chão da sala… Em último suspiro, um último gole de vinho já quente eu reconstruí o que eu seria. Seria, a meu bel prazer e quando preciso, silêncio e malícia. Mas, vejam, era isso o que todos queriam: silêncio e compaixão. Compaixão, [...]
Ela tinha raiva. Raiva dela, do pai do bebê, raiva do edifício desbotado do outro lado da rua, raiva do envelope com dinheiro dentro da sua bolsa, que a alguns dias já arrancava dela a vontade de comer, mutilava a vontade de fumar, esperava incômoda e pacientemente o momento de comprar o fim daquela vida [...]
Era um excelente jogador de pôquer. Era não: sou. Às vezes vejo aquele mesmo quadro. O imenso quadro de borboletas negras. Então uma explosão transforma meu blues no mais pesado e visceral rock and roll. Algumas rodas estão enferrujadas. O uísque as resgata – sou o velho mamute dos bosques urbanos. Não há banho matinal. [...]
Percebeu que a mancha no vestido dela aumentava e a pele rosada tornava-se cada vez mais alva. Os lábios secos, os olhos sem vida. Era a hora de juntar-se a ela, seu sonho, o eterno. O vermelho vindo dela dissolvia-se na transparência da correnteza que aumentava. Nenhum ruído além dos galhos rangendo. Iasmin Martins recontou [...]
Ouvi um barulho, despreguei do chão, dei meia-volta com a ajuda de um santo zelador dos pé-na-cova e desci escada abaixo. De pau duro, pulando degrau sobre degrau mais que atleta olímpico preparado. Ainda ouvindo ela dizer lá de cima “Beija-florrrrr”, corri e corri. Até a rua. Até a esquina. Rua e esquina e mais [...]