11 de Outubro
Repito, tudo o que me sobrou foi esta máquina que me permite escrever e ouvir rádio entre outras coisas absolutamente inúteis. Por vezes, ela é a minha única amiga. Até a batizei.
Porém, isso não tem relevância de momento. Hoje de madrugada, houve novamente uma ocorrência invulgar. O céu, de tons verdes, começou a derramar fumo por toda a cidade. Infelizmente eu era o único que perambulava lá fora, a observar todo aquele esplendor que me era oferecido. Sim, porque os outros, os cobardes, passavam o dia todo nos seus respectivos esconderijos. Eu era o caso oposto. A situação não me afectou ao ponto de mudar o meu comportamento. Desde sempre que fui diferente. Talvez a minha essência tenha permanecido, devido ao facto de eu nunca ter compreendido o que sucedeu naquele dia, o dia que mudou tudo e todos.
12 de Outubro
Repito, tudo o que me sobrou foi esta máquina que me permite escrever e ouvir rádio entre outras coisas absolutamente inúteis. Hoje liguei-a. Finalmente, após tanto tempo, descobri a localização deles, os que me deixaram no esquecimento. Eu não me importo. É bom ser esquecido. A verdade é que eu renasci, num ser igual ao anterior. Eles sabem que estão a ser seguidos. Tenho de estabelecer algum tipo de contacto antes que eles evacuem a cidade.
13 de Outubro
Repito, tudo o que me sobrou foi esta máquina que me permite escrever e ouvir rádio entre outras coisas absolutamente inúteis. Hoje ela perdeu a bateria. Desde que a cidade foi invadida com os ditos isótopos de mercúrio, que ninguém se atreveu a entrar na central elétrica.
Sentei-me no chão do cais, perdido. Eles, a minha única salvação, haviam fugido. Enquanto avistava o mar, avistava também um rasto de vingança. Um albatroz faminto pairava os céus, esperando impacientemente que eles abarcassem naquela ilha que dormia no horizonte…
Ah, magnífico!!! Que felicidade!!! Um texto do meu amigo Bernardo!!! Parabéns!!!