Parece uma guerra. Há coisas voando. Pessoas chorando. Pessoas nervosas. E lá está Maya no meio de tudo isso. Não era uma guerra. Era só mais um dia. Mais uma droga dia, que seria sucedido por outro até o dia da sua morte. Uma droga de dia após o outro. E provavelmente no fim não [...]
Dutra Viana era popular em seu bairro suburbano por seu jeito falastrão e “vaselina”. Acostumado a lidar com o público e com uma grande variedade de conhecidos, tornou-se representante da associação de moradores. Com o vago discurso de “pretendo fazer algumas melhorias em nosso amado bairro”, conseguia gordas contribuições mensais. O dinheiro entrava facilmente, direto [...]
- Jura? Eu não acredito? – ela diz, quase não se contendo de tanta felicidade. Ela agradece e a primeira coisa que pensa é em contar a novidade. Ela pega o celular, mas para quem ligar? Quem vai realmente se importar? Ela ja sabe a resposta. Parada no meio da calçada, toda uma cidade ao [...]
Um passarinho cor de milho se acomodou em um fio de energia solitário. Lá de cima, observava quase todos os paralelepípedos desiguais daquela rua. Uma mulher desceu velhas escadas com um gasto vestido vermelho e olhou com orgulho seu jardim sem borboletas.
Ormando Marim Neto recontou a música do Vanguart. Aqui.
- Vem, me dá a mão. Força! Isso, você já está conseguindo sair! Está bem?
- Minha perna esquerda tá doendo!
- É, foi uma queda e tanto! O que você estava fazendo ali?
- Tinha uma flor tão linda daquele lado! Eu quis pegá-la e acabei caindo neste buraco…
- Realmente, parece uma bonita flor. Mas, além do [...]
– Para com isso! Vamos, me deixa sair, estou entediado aqui!! Não tem porra nenhuma pra fazer, vamos lá, só vou dar um susto nele! A voz ecoou forte dentro da cabeça de Mark. O corpo trêmulo denunciava o estado de transtorno. O nervosismo brotava da pele, deixando um gosto amargo no suor. Ele sabia [...]
Você me aceitava, porque eu era a única que se importava. E era verdade. Eu cuidava de você e eu achava que uma hora você ia cuidar de mim também. Eu fazia coisas pra você, eu aceitava seus problemas, eu achava que você estava vendo alguns desses movimentos. Mas um animal ferido talvez não consiga [...]
Passei a segui-la sem saber, sabendo que a encontrava por acaso pelas ruas de uniforme ela nunca usava o uniforme o menino de uniforme indo pra escola ela ia pra escola mas nunca entrava, voltava sozinha pra casa de vez em quando ou quase nunca de havaianas eu chegava, perguntava, ela nunca respondia eu sempre [...]
Estavam assim, enroscados e nus, entre os lençós da cama bagunçada, entre camisinhas usadas, livros lidos pela metade, cds fora de ordem e um sonho desenhado no ar pelo indicador dele. “Vai dar tudo certo. A cama é boa e o armário também. Bem sólidos. Agüentam a vida inteira.” “Mas e a televisão?” “A gente [...]
Estive com más companhias, Ana. Não se decepcione. De uma forma ou de outra, velhos visitantes indesejados sempre estiveram por aqui. Nunca escrevi ou mencionei pra não falar besteiras. E pra cada minuto que quis te contar uma dessas besteiras somaram-se algumas décadas de silêncio, renúncia e afastamento. Já houve época de eu querer sumir [...]
“Alguns clichês são inevitáveis”, ela pensou, enquanto andava pelo saguão do aeroporto, procurando um lugar para esperar o horário do seu voo.
Márcio Viana encarou “Where the streets have no name”, do U2. Leia aqui.
Pegou o maço, sacou o cigarro como quem saca uma velha arma, que sempre ajuda em certas situações, riscou o fósforo, e o cheiro de pólvora queimada misto do primeiro cigarro preencheu o lugar. O primeiro cigarro sempre tem um cheiro característico. A fumaça que saia dos seus pulmões, flutuava devagar e densa pela sala [...]