MOJO #00028

FERNANDA TAKAI
DIZ QUE FUI POR AÍ
LANÇAMENTO: 10/08/2008
Avaliação:

MixwitMixwit make a mixtapeMixwit mixtapes



E saiu. "Direi meu próprio norte". Foi, como na música. E rascunhou. Era para dizer "Fui...", no caso de perguntarem. E desapareceu. "Não dê satisfações sobre nós". Nunca amarrou. E parou. Na janela, o reflexo de uma fotografia do outro lado da vida. E mordeu. Não sentiria dor, não cairia em um botequim. E entrou na vida. "Era o dia". Sem saudade, só coceira no pé. "Não me atrasaria, não mentiria". E madrugou. "Escuridão companheira". E olhou. Um bar "Em cada esquina". E não dormiu. Nem precisava, sonharia sem sonhar. E devaneou.

E ia. E voltava. "Para a vida". Cansou de se perder. E abriu. No caderno anotou outra frase da canção. E riscou. Não era por aí. E sorriu "Rasgado". E rasgou. Ônibus seguindo. O motorista ouvindo rádio. E melodiou "...chegando ao fim". E findou. Jogou fora o caderno. Agora, sim, nada mesmo.

Outra manhã. E desceu. E fora já não carregava o acervo de suposições desfiadas e esfarrapadas. E coração. "Quem nunca amou?". Sobrou só o rabisco na camiseta: "Mereço ser amado". E foi voltar. E merecer. E passos. E sinceridade. Um copo d’água! Sem tempestade "Me semear no vento". Sem pecado. Manhã de nenhuma vaga, "Lembrança alguma". Contas do passado. E não pagou. Deu-se um presente. E futurou. Ninguém chora mais. "Por ninguém".

E andou com a graça que o amor lhe deu. Realidade em poesia. Enxugou o suor, parado em frente à casa. "Seja meu". Primeiro beijo. E aqueceu. "Todo o mundo". Ponteiros nortearam para sul e para cima. Segundo beijo. E ardeu. Portas abertas. "Que vejam". E. "Use só sinceridade agora". Nem chuva, nem sol. E suaram. Calor de calafrio. "Também te quero, com todo querer". Quinze minutos, mil voltas; "Você regressou". Na memória, no sonho "E não em vão". E a dois, com o terceiro já passado. Só dois. E a noite não tardou. E nasceu. "Coração...". "Sim". "Fica desta vez". Ninguém soube "Onde estava?".

E ficou.

Aline 25/08/2008 11:08
uma adorável sensação de sobe e desce, de ir e vir. adorei.
Lehgau-Z Qarvalho 15/08/2008 15:08
Reges não é humano. E essa é sua melhor porção. Prolfaças, pois! 8)*
Pablo Luz 13/08/2008 10:08
Sutil e nostálgico como a própria canção. Parabéns!
Ana Lúcia Pompermayer 11/08/2008 12:08
O Reges consegue tecer seu texto urbano com a delicadeza das linhas da poesia, tecido-prosa-poema de urbanidade e cotidiano. Belíssimo passeio de ônibus com a camiseta riscada. Parabéns! Ana Lúcia Pompermayer.

Deixe seu comentário

A MOJO é uma editora 100% digital. Sua proposta é simples: Se música fosse literatura, que história contaria?
Para ver todos os livros que serão lançados e propostas em avaliação, clique aqui.

Siga-nos no Twitter: @mojobooks



» O novo do Muse
Leia a resenha sobre o novo disco da banda. Clique aqui

» Nirvana de luxo
Disco Bleach ganha uma nova roupagem para comemorar seus 20 anos. Clique aqui



1. THE BEATLES
STRAWBERRY FIELDS FOREVER
2. ROLLING STONES
SIMPATHY FOR THE DEVIL
3. MY CHEMICAL ROMANCE
DEMOLITION LOVERS
4. AMY WINEHOUSE
BACK TO BLACK
5. BAUHAUS
BELA LUGOSI`S DEAD




Mojo Books. Todos os direitos reservados.