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Amostragem de Solo: Conheça sua importância!

by Logan Nelson
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Dentre as etapas de análise do solo, certamente a amostragem é a mais importante

A amostragem de solo pode ter diferentes finalidades, sendo a mais comum para analisar a fertilidade do solo, isto é metrificar a capacidade de fornecimento de nutrientes à planta e verificar a ocorrência de elementos tóxicos em níveis potencialmente indesejados. 

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A importância dessas análises é justamente para que o agricultor possa diagnosticar as condições do solo em que desenvolverá sua atividade.

Dentre as etapas de análise do solo, certamente a amostragem é a mais importante. Não há como corrigir uma amostragem malfeita, a única opção seria refazê-la do zero.

Durante esta etapa, são coletadas amostras de solo – em diferentes pontos do terreno a ser examinado – que devem representar um talhão inteiro. Se a análise tiver o fim de verificar a fertilidade do solo, por exemplo, a recomendação de adubação e correção vai ser realizada usando aquele solo coletado como referência.

Cuidados importantes na amostragem:

Divisão da área em talhões ou glebas

Os solos podem ser muito diferentes, mesmo em áreas muito próximas, isso pela sua formação, mas também pela ação do homem.

Sabendo dessas diferenças, para uma amostragem assertiva, é necessário que o lote a ser analisado seja dividido em talhões ou glebas homogêneos (ou seja, todo o solo do talhão deve ter as mesmas características; havendo diferenças relevantes, deve-se separar em um novo talhão), de forma a obter resultados mais precisos e específicos para cada recorte feito. Por isso, o tamanho de cada recorte (talhão ou gleba) é variável, desde poucos metros quadrados até vários hectares.

Também é necessário que a amostragem seja feita de forma a englobar todas as áreas do talhão, isto para que a análise de fato represente as condições do talhão analisado, já que os resultados alcançados no laboratório vão ser baseados no solo coletado.

Para dividir um lote em talhões ou glebas, diversos pontos devem ser levados em consideração, como: vegetação; topografia; histórico da área; adubações e calagem; tempo de uso; produtividade; características do solo (cor, textura, drenagem etc.); topografia; entre outros.

Ferramenta utilizada para amostrar

A escolha da ferramenta para coletar o solo deve levar em consideração o tamanho da área a ser amostrada, finalidade da análise, qualidade que se busca com a amostragem, número total de amostras e tempo disponível para a coleta. Dentre outros, podem ser utilizados: trado; enxada; enxadão; pá reta; e tubo tipo sonda.

Contudo, independente da ferramenta disponível, é sempre importante lembrar da qualidade da coleta, adotando-se alguns cuidados básicos e fundamentais, como: 

– limpeza do equipamento, ter certeza de que não há nenhuma sujeira aparente ou marca de ferrugem (oxidação);

– retirada do excedente de solo da amostra e se ater à profundidade desejada;

– retirada do volume lateral da amostra, já que não é desejável uma amostra com maior quantidade de solo do que a outra;

– em amostragens profundas, nas quais é necessária a entrada da ferramenta mais de uma vez no solo, é muito importante que não haja “recoleta” do solo. Isso acontece com muita frequência em amostragens de 0,20m de profundidade e equipamento de 0,10m, por exemplo. Após a coleta da primeira camada (0,10m), deve-se atentar para não derrubar nenhum solo naquele buraco e contaminar a porção de 0,10m a 0,20m de profundidade.

Época da amostragem de solo

Não se recomenda a coleta de solo em épocas de estresse hídrico (falta ou abundância de água) pela dificuldade de amostragem tanto em solos secos, quanto em solos encharcados.

Solos muito molhados são difíceis não só de coletar, mas também de misturar as amostras. Já na coleta em solos muito secos, a depender da profundidade que se quer alcançar, a coleta se torna muito difícil.

*Para análise com fins de avaliação de fertilidade, a época do ano é crucial para que os resultados sejam representativos. Retirada de nutrientes do solo pelas plantas e adubações alteram completamente o resultado das análises (e posterior recomendação de correções). Por isso, é indicado que essas análises, ao longo dos anos, sejam feitas sempre na mesma época, por exemplo, na entre-safra da safra de inverno para a de verão.

Como coletar as amostras

As amostras simples devem ser retiradas separadamente em cada talhão homogêneo, caminhando-se em zigue-zague na área, para se formar uma amostra composta. 

Independente do tamanho do talhão (se poucos metros quadrados ou vários hectares), o número de pontos coletados não deve ser inferior a 20.

Todo o solo coletado nesses mais de 20 pontos (amostras simples) deve ser colocado em um saco plástico, ou balde plástico limpo, e muito bem misturado (formando a amostra composta). É preciso ter muita atenção para que não sejam sacos ou baldes usados, principalmente para adubo ou ração, o que contaminaria a amostra coletada.

Em hipótese alguma deve ser coletado solo próximo a carreadores, brejos, locais de depósito de fertilizantes ou corretivos, formigueiro, cupinzeiros, etc. Esses locais podem ser amostrados separadamente, caso seja desejo do produtor.

Envio das amostras ao laboratório

Após a mistura das amostras simples, para formação da composta, deve ser retirada uma amostra deste solo, quantidade próxima a 500 gramas. Recomenda-se que esse solo (0,5kg) seja colocado em um saco plástico limpo para levar para o laboratório. Essa amostra pode ser chamada de “amostra composta”, já que contém frações das diferentes coletas realizadas na área.

O ideal é que cada um desses sacos contenha: Nome do produtor; Propriedade; Município; Talhão coletado; Profundidade da coleta; Tipo da análise a ser feita.

É comum que os laboratórios forneçam esses sacos já com a etiqueta pronta para ser preenchida.

Considerações gerais

  • É importante destacar que todas as amostras de solo de uma área ou gleba devem ser coletadas na mesma profundidade;
  • O diagnóstico da análise deve ser feito por um engenheiro agrônomo.

Por Giuseppe C. A. Marcantonio – eng. agrônomo (CREA/PR 200.217-D) na TMC Avaliações e Perícias.

Por Karolina R. Rocha – eng. agrônoma (CREA/PR 177.279-D) na TMC Avaliações e Perícias.

Original de Direito Rural

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