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Cuba quer dominar a Organização Pan-Americana de Saúde

by Logan Nelson

A esposa de um funcionário da ditadura cubana envolvido no tráfico humano de milhares de profissionais de saúde é candidata a chefe da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Um brasileiro que submeteu médicos cubanos a trabalhos análogos à escravidão também. Os dois seriam boas escolhas? Eles foram indicados para o cargo por seus respectivos governos. Mas merecem ser desclassificados, como mostra artigo publicado no The Wall Street Journal.

“Cuba está trabalhando para obter o controle da Opas, um braço da Organização Mundial da Saúde [OMS], pela mesma razão que a China quer controlar a própria OMS: uma autoridade de saúde pública que pode ser usada de maneira não transparente é um poderoso veículo de propaganda e talvez pior”, escreveu a colunista Mary Anastasia O’Grady.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou uma nova parceria com a Opas. A intenção é financiar a formação de 500 mil médicos nos próximos cinco anos. A menos que os EUA recuperem a integridade e a transparência da Opas, o programa será usado pelo regime para implantar mais recursos em “trabalhadores de saúde” disfarçados.

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“Venezuela, Bolívia, Chile, Argentina, Peru, Cuba, Honduras, El Salvador, Nicarágua e México são agora liderados por socialistas”, afirmou Mary. “Com a posse do ex-guerrilheiro Gustavo Petro, a Colômbia se juntará ao grupo de esquerda. Nas últimas semanas, seguidores de José Carlos Mariátegui (fundador do Partido Comunista do Peru) bloquearam estradas em Quito, em um esforço para derrubar o presidente do Equador, Guillermo Lasso.”

A sobrevivência ou o renascimento das instituições democráticas na região depende em grande parte da coragem e do empenho dos habitantes locais. Mas os EUA podem ajudar, caso reprimam a investida de Cuba na Opas.

A exportação de médicos cubanos para países estrangeiros, onde são pagos com baixos salários, despojados de seus passaportes e proibidos de receber visita dos familiares, não é uma teoria da conspiração. No início deste mês, o Venezuela TalCual, reconhecido jornal independente do país, informou que 17 cubanos que haviam sido escravizados como profissionais de saúde foram pegos tentando cruzar a fronteira com a Colômbia. Pelo menos seis foram devolvidos a Cuba, onde enfrentam penas de prisão de até oito anos.

Uma queixa apresentada por quatro vítimas cubanas no Tribunal Federal dos Estados Unidos em Washington mostra um testemunho em primeira pessoa sobre a vida das “missões médicas” dirigidas pela Inteligência de Cuba. A ação coletiva alega que Dilma Rousseff (PT), ex-presidente do Brasil, usou a Opas como intermediária financeira para ocultar pagamentos a Havana.

Como mostra reportagem publicada na Edição 111 da Revista Oeste, as vítimas de tráfico humano receberam apenas uma fração (25%) dos salários. A Opas pagou 70% à ditadura cubana e reteve os outros 5% para si.

É isso que torna absurda a candidatura da mexicana Nadine Gasman ao cargo de chefe da Opas. Seu marido, Joaquín Molina, é ex-representante de Cuba na Opas (e um dos réus da queixa coletiva apresentada pelas vítimas de tráfico humano). Atualmente, ele é conselheiro do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que quer levar ao país os médicos cubanos.

O Brasil está apoiando Jarbas Barbosa para o cargo, apesar de seu apoio ao Mais Médicos. Ele não é citado como réu na ação coletiva, mas o brasileiro Alberto Kleiman é. A denúncia alega que, como consultor do Ministério da Saúde, Kleiman ajudou a preparar a “conspiração criminosa” e mais tarde se tornou funcionário da Opas. Em 2013, Barbosa era encarregado do escritório de supervisão do Ministério da Saúde.

Quando o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo, em 2019, disse que pagaria integralmente o salário dos médicos cubanos. O regime cubano encerrou o programa.

“Como o maior contribuinte da Opas, os EUA têm a responsabilidade de ver que a instituição é uma força para o bem”, argumenta Mary. “Um bom ponto de partida seria rejeitar as candidaturas de Gasman e de Barbosa.”

Leia também: “Mais Médicos: jalecos escravizados”, reportagem publicada na Edição 111 da Revista Oeste

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