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Modelo simples de criação de camarões marinhos em alto mar

by Logan Nelson
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Pesquisa permite cultivo de camarão-branco, espécie marinha, longe da costa

A Embrapa Meio-Norte (PI) definiu a composição da água necessária para a criação do camarão branco do Pacífico ( Litopenaeus vannamei ), permitindo a reprodução em ambientes offshore. Por ser uma espécie marinha, geralmente é cultivada em fazendas próximas à costa. O avanço para os agricultores é que a investigação científica definiu as doses mínimas ideais de minerais como cálcio, magnésio e potássio na água, e um modelo simplificado para que o camarão vannamei possa ser criado sem a necessidade de água do mar.

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O modelo é para a fase de viveiro em sistema simbiótico (que permite o desenvolvimento de alimentos naturais importantes para o desenvolvimento das pós-larvas) em cativeiro, em pequenas propriedades. Este sistema é o mais utilizado no mundo para a produção do crustáceo, pois melhora a digestibilidade e absorção dos alimentos dos animais e estabiliza a qualidade da água.

As concentrações que o estudo definiu

Os resultados da pesquisa incluem a definição das seguintes concentrações por litro de água: salinidade: 2,3%, cálcio: 38 miligramas, magnésio: 96 miligramas, potássio: 48,3 miligramas e 490,13 miligramas de dureza total (concentração de cálcio e magnésio solúveis na água). A alcalinidade total foi ajustada para 92,33 miligramas de carbonato de cálcio por litro.

Os estudos foram desenvolvidos pelo engenheiro de pesca e analista da Embrapa Meio-Norte  Valdemir Queiroz de Oliveira , em seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco ( UFRP E), em Recife, PE, Brasil. O estudo foi orientado pelos professores Alfredo Oliveira Gálvez e Luis Otávio Brito, e pela pesquisadora da Embrapa  Alitiene Moura Pereira .

A importância do farelo de arroz

Para concluir o estudo, cujos resultados parciais foram apresentados no IX Congresso Brasileiro de Aquicultura e Biologia Aquática (AquaCiência 2021) e na XVII Feira Nacional do Camarão (Fenacam 2021), Oliveira também utilizou farelo de arroz fermentado.

No experimento de laboratório, para cada metro cúbico de água, ele aplicou 20 gramas de farelo de arroz peneirado, 2 gramas de açúcar demerara, 0,5 grama de probióticos (mix de bactérias  Bacillus subtilis, B. licheniformis e B. sp. ), 0,25 grama de fermento e 4 gramas de bicarbonato de sódio. A água deve ser previamente esterilizada.

A mistura, segundo o engenheiro de pesca, foi submetida à fermentação (processo anaeróbio) por 24 horas e, em seguida, à respiração microbiana (processo aeróbio) por mais 24 horas. Posteriormente, foi adicionada à água de cultivo a cada dois dias, totalizando sete aplicações (14 dias) antes do assentamento com pós-larvas. Após o assentamento, a mistura foi aplicada três vezes por semana.

Ele explica por que o uso do farelo de arroz é importante na dieta dos camarões. “O farelo é colonizado por bactérias que equilibram a relação entre bactérias heterotróficas e nitrificantes, permitindo a estabilização de compostos nitrogenados (amônia e nitrato) em níveis que não prejudiquem o crescimento dos camarões. O farelo aumenta a quantidade de bactérias benéficas no sistema digestivo dos camarões, o que melhora a absorção de nutrientes e o Fator de Conversão Alimentar [quantidade de alimento que o animal ingere para transformar em um quilo de peso corporal do animal”, esclarece.  

Sistemas intensivos de viveiros de camarão, como os simbióticos, oferecem várias vantagens aos produtores, segundo Oliveira. “Requerem pouca troca de água, e oferecem maior controle e reuso da água”, evitando assim a perda de minerais e aumentando os ciclos de produção na fase de engorda. “O processo – afirma Oliveira – garante maior aclimatação das pós-larvas às condições de crescimento, produzindo um camarão mais resistente, com maior crescimento compensatório e melhor desempenho animal”.

Produção simplificada em cativeiro

Paralelamente à sua dissertação de mestrado, criou um modelo simplificado de produção de camarão para pequenas propriedades. O modelo é composto por unidades com tanques-berçário de 50 m 3 . Cada um pode produzir 85.000 filhotes de camarão a cada 30 dias. Essa quantidade pode povoar uma pescaria de 850 metros quadrados em sistema intensivo, com densidade de 100 animais por metro quadrado, com colheita estimada de 760 quilos de camarões de 10 gramas a cada 100 dias. Ou uma pescaria de 5.600 metros quadrados com densidade de 15 camarões por metro quadrado, com uma colheita de cerca de 900 quilos de camarões de 12 gramas cada, a cada 90 dias.

Fonte: Embrapa

Com um tanque de berçário, o agricultor pode povoar uma pescaria a cada 35 dias, e assim o camarão será produzido na fazenda todos os meses. A instalação de três pescarias é necessária.

Poços garantem infraestrutura

O interior do Brasil possui infraestrutura para a produção de camarão em cativeiro. Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o país tinha 348.869 poços artesianos até 10 de maio de 2022. O Nordeste brasileiro tinha o maior número: 190.100, seguido pelo Sudeste (60.393), Sul (56.490), Norte (28.532). e Centro-Oeste (13.354).

Com salinidade próxima de 0,5% (combinada com as variáveis ​​quantidade e qualidade da água), o que Oliveira afirma que garante satisfatoriamente uma boa produção de camarão, são 83.606 poços espalhados nas cinco regiões do País: 63.915 no Nordeste; 10.113 no Sul; 7.969 no Sudeste; 818 no Norte; e 791 no Centro-Oeste. “A infraestrutura com poços já garante as condições mínimas para a produção de camarão de qualidade nas pequenas propriedades”, disse Oliveira.

Fonte: Embrapa

Por Fernando Sinimbu (654 MTb/PI), Embrapa Centro-Norte

Original de Embrapa

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