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Presidente do Equador evita destituição e suspende negociações com líder de protestos

by Logan Nelson

O presidente do Equador, o direitista Guillermo Lasso, evitou um processo de destituição no Congresso nesta terça-feira (28), mesmo dia em que suspendeu as negociações com o principal líder indígena do país para acabar com os protestos contra o custo de vida, que completaram 16 dias.

Uma moção para afastar o presidente do cargo, por motivos constitucionais de “grave crise política e comoção interna”, recebeu 80 dos 92 votos necessários, segundo a Assembleia Nacional.

“Defendemos a democracia e agora devemos recuperar a paz”, disse Lasso após a votação.

O Congresso debatia desde o sábado (25) o pedido de impeachment apresentado pelo partido de oposição União pela Esperança (Unes), a principal formação da Assembleia, com 47 cadeiras e vinculada ao ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017).

“Apesar das tentativas golpistas, hoje prevaleceu a institucionalidade do país. Está evidente quem trabalha para as máfias políticas. Enquanto isso, nós continuamos trabalhando para o Equador”, acrescentou o presidente, de 66 anos.

Durante a manhã, Lasso suspendeu as negociações com o líder da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), Leonidas Iza, que estimula os protestos.

Lasso tomou a decisão depois que 1 soldado morreu e 12 ficaram feridos em um ataque de manifestantes contra militares na Amazônia.

“Não vamos nos sentar para conversar novamente com Leonidas Iza, que só defende seus interesses políticos, e não os de suas bases […] Não vamos negociar com quem mantém o Equador refém”, declarou o presidente.

A Conaie respondeu acusando Lasso de “autoritarismo, falta de vontade e incapacidade” e disse que ele terá que responder pelas “consequências de sua política belicista”.

O secretário da OEA, Luis Almagro, afirmou no Twitter que os “protestos devem ser pacíficos e democráticos […] A desestabilização violenta de um governo democrático é sempre condenável”.

Os indígenas e o governo mantêm uma queda de braço há mais de duas semanas, sem chegar a acordos para desmontar a crise.

O elevado custo de vida alimentado pelo aumento dos preços dos combustíveis levou às ruas, desde 13 de junho, cerca de 14 mil manifestantes, a maioria em Quito. Eles exigem medidas que aliviem o golpe econômico na produção agrícola e na cesta básica.

Marchas festivas, bloqueios de estradas e confrontos violentos entre a força pública e os indígenas pressionam o impopular presidente Lasso, que tem apenas 17% de aprovação.

Ele reduziu os preços dos combustíveis, embora não na proporção pedida pelos manifestantes; concedeu uma moratória para dívidas de até US$ 3.000 aos camponeses; e levantou o estado de exceção, sob o qual os militares deixaram os quartéis em 6 das 24 províncias do país e foi imposto um toque de recolher em Quito.

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