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Rússia prende jornalista que exibiu cartaz contra a invasão da Ucrânia

by Logan Nelson

A jornalista russa Marina Ovsyannikova, conhecida por interromper uma transmissão ao vivo de uma emissora de televisão estatal e exibir um cartaz com críticas à invasão da Ucrânia, foi detida pelo Kremlin, no domingo 17.

“Marina foi detida”, diz uma mensagem publicada no Telegram da jornalista. “Não há nenhuma informação sobre o local onde ela está.”

A mensagem é seguida por três imagens, nas quais é possível ver que Marina, 44 anos, está sendo conduzida por dois policiais até um veículo branco. Ela foi detida enquanto andava de bicicleta.

Em entrevista à agência de notícias RIA Novosti, o advogado da jornalista, Dmitri Zajvatov, confirmou a detenção. “Suspeito que isso esteja relacionado de uma forma ou de outra a seu ato de protesto”, afirmou.

A prisão ocorre dias depois de Marina se manifestar em frente ao Kremlin contra a morte de crianças ucranianas. A jornalista qualifica o presidente da Rússia, Vladimir Putin, como “assassino”.

Marina pode ser punida, visto que, na Rússia, é crime divulgar “informações falsas” contra o Exército. Ela pode ficar um ano na cadeia.

O caso

Em 14 de março, Marina entrou em um dos estúdios da TV em que trabalhava e mostrou um cartaz com as seguintes frases: “Não acreditem em propaganda” e “Eles estão mentindo para vocês”. Ela era redatora da empresa.

Um tribunal de Moscou ordenou que Marina pagasse uma multa de 30 mil rublos (R$ 1,4 mil), porque, segundo a decisão dos magistrados, ela violou as regras relativas a protestos não autorizados.

Marina foi multada pelo vídeo divulgado logo depois do protesto, em que classifica o conflito no Leste Europeu como “fratricida”. “O que está acontecendo na Ucrânia é um crime, e a Rússia é agressora”, disse a jornalista, na ocasião. “A responsabilidade pela agressão é de um homem: Vladimir Putin. Meu pai é ucraniano, minha mãe é russa. Eles jamais foram inimigos. Não protestamos quando o Kremlin envenenou Alexei Navalny.”

Navalny, que está preso, é um dos principais líderes da oposição ao presidente russo, Vladimir Putin. Em 2020, sentiu-se mal durante um voo e foi levado para um hospital na Alemanha. O governo alemão acusou a Rússia de envenenamento, mas o Kremlin negou.

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