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Varíola dos macacos é emergência de saúde global, decide OMS

by Logan Nelson

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou a varíola dos macacos uma emergência de saúde pública neste sábado, 23. O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

“Acreditamos que a nossa declaração pode mobilizar o mundo a agir em conjunto”, declarou Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS. “Precisamos de coordenação e solidariedade para controlar a varíola dos macacos. Com as ferramentas que temos agora, nós podemos conter esse surto e parar a transmissão.”

A declaração de emergência significa que o surto é um “evento extraordinário” que pode se espalhar para outros países. Dessa forma, precisa de uma resposta global.

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Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, desde maio deste ano, mais de 15 mil casos de varíola dos macacos foram notificados em quase 75 países. Até o momento, as mortes só foram notificadas no continente africano, onde uma cepa mais grave do vírus está em circulação na Nigéria e no Congo.

Anteriormente, a OMS declarou como emergência a pandemia de coronavírus (2020), surto de ebola na África (2014) e o zika vírus na América Latina (2016). De acordo com a organização, 99% dos casos de varíola dos macacos, fora da África, são em homens. Desse total, cerca de 98% são gays.

Adhanom explicou que cinco elementos são considerados importantes para decretar um surto de emergência global de uma doença:

  • 1°: as informações fornecidas pelos países, neste caso, mostraram que a varíola se espalhou rapidamente para outros lugares que não tinham a doença;
  • 2°: os critérios do Regulamento Sanitário Internacional, norma jurídica que a OMS segue;
  • 3°: a opinião do Conselho do Comitê de Emergência, neste caso, não chegou em consenso;
  • 4°: os princípios científicos, evidências e outras informações importantes, nesse caso, ainda são insuficientes e deixam muitas incógnitas;
  • 5° o risco para a saúde humana, disseminação internacional e a potencial interferência na circulação de pessoas pelo mundo;

De acordo com o diretor-geral, existe um surto da varíola dos macacos que se espalhou rapidamente pelo planeta, por novos modos de transmissão. Para ele, a OMS ainda entende pouco sobre essa transmissão. Contudo, ela atende aos critérios do Regulamento Sanitário Internacional. “O risco de varíola é moderado no mundo, em todas as regiões”, afirmou Adhanom. “Com exceção da Europa, onde avaliamos um alto risco.”

Entenda a varíola dos macacos

A doença não é nova e remete aos tempos da varíola humana, uma das doenças mais mortais que já existiu. Conhecida como a primeira moléstia erradicada da história, a extinção da varíola aconteceu oficialmente em 1980, depois de uma campanha de vacinação em massa, orientada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao todo, foram registradas mais de 300 milhões de mortes no século passado em razão da doença, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Felizmente, as infecções causadas pelo Orthopoxvirus variolae (monkeypox), o agente causador da varíola do macaco, são mais brandas do que a humana. Classificada como uma zoonose viral, ou seja, quando a doença passa de animais para humanos, a varíola dos macacos ficou conhecida depois da sua descoberta, em 1958, em colônias de macacos mantidos para pesquisa num laboratório na Dinamarca.  Já o primeiro caso em ser humano foi registrado pela primeira vez, em 1970, na República Democrática do Congo.

A doença, que estava mais restrita às regiões da África, acendeu a preocupação de especialistas ao aparecer na Europa e outros países. Ainda não é possível explicar com certeza porque a Europa está enfrentando um surto da doença. “O que sabemos é que sempre houve um link epidemiológico com a África”, afirmou Giliane Trindade, professora e pesquisadora do Departamento de Microbiologia do ICB-UFMG, em entrevista a Oeste. Vários casos no Reino Unido, por exemplo, não têm aparente conexão entre si, levantando a hipótese de que a infecção foi contraída por transmissão comunitária.

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